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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sinto sua falta

No caminho para o trabalho, muito tempo atrás, algo chamou minha atenção. Algo muito pequeno tomava água que corria pela sarjeta. Fiquei muito sensibilizada, pois varias feridas dividiam lugar com as manchas marrons na pelagem branca. Parei o carro e corajosamente tomei uma decisão. Liguei para meu marido, que estava em férias, pedindo que fosse resgatar o filhotinho de no máximo 3 meses. Na verdade o corajoso foi ele.

Voltando para casa descobri que os machucados foram provocados por uma sarna muito contagiosa. Descobri também que era uma fêmea. Demos a ela o nome de Scully, pois eu adorava a série “Arquivos X”. Ela viveu 1 mês dentro de uma gaiola para pássaros, no quartinho dos fundos. Tudo isso, para não contaminar os outros animais. Seguimos todas as recomendações da veterinária, que não cobrou sua mão-de-obra por se tratar de um resgate. Os jornais eram trocados 2 vezes ao dia, 3 vezes ao dia aplicávamos remédios e visitávamos o vet a cada 2 dias, para banhos e injeções. Mas eu devo admitir, eu transgredi... coloquei um ursinho de pelúcia para que a filhotinha tivesse algum tipo de aconchego. Quando eu abria a porta do quartinho, antes dela vir correndo para mim, presenciava os dois bem juntinhos.

Foram 15 anos de companhia e proteção ao nosso bando. Scully nos protegeu de perigos reais,  e de perigos que ela considerava reais. Matou 2 cobras-corais, alguns ratos do império do mal e outros audazes gambás (confesso que desses eu tinha pena). Pena também senti do periquito premiado da nossa vizinha. Desse sobrou apenas o bico. Devo mencionar seus latidos e rosnados diferenciados informando-nos que alguém estava próximo ao muro. Latidos muito diferentes daqueles dados para os macaquinhos que atravessavam o mesmo muro.

Foto: Salatino
Então, o inevitável veio. A grande viagem não pode ser adiada. Foi dormir e não mais acordou. Morte justa e honrada. Assim deveria ser a morte de todos os corajosos animais que nos dão tanto amor e lealdade, sem nunca pedir nada em troca. Animais que nos amam independente da nossa riqueza, beleza ou qualquer outra característica. Eles nos amam por nós mesmos.

Scully, obrigada pelo amor e companhia. Desculpe-me por algum erro... SINTO SUA FALTA... Descanse em paz... ops, já ia esquecendo... dá uma lambidona na Tendara por mim e um abração na tartaruga Gervásio, e nem pense em comê-lo novamente.

Por Cintia B. Silva

Ps. Meus agradecimentos ao Centro Cinófilo Salatino, pela competência e carinho dispensado à minha família animal. Agradeço também a Dr. Juliana, que com sua medicina proporciona conforto e dignidade aos animais na terceira idade.



Teve ou não, uma boa vida no final? - Foto: Salatino